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Foi somente na segunda metade do século XX que a citologia
obteve o devido reconhecimento, graças especialmente ao trabalho do Dr.
George Papanicolaou (1883-1962). O mesmo, nasceu em Kyme na Grécia,
estudou em Atenas onde obteve seu diploma em Medicina. Decidindo devotar
a sua vida à pesquisa em vez de exercer sua profissão como médico de
família, foi para a Alemanha, obtendo um PhD na Universidade de Munique,
em 1910. A sua carreira profissional foi interrompida pelo serviço no
exército grego na guerra dos Balcãs, onde conheceu americanos
descendentes de gregos, cujas descrições da América como uma terra de
oportunidades persuadiram-no a buscar lá o seu futuro. Imigrou em 1913
para os Estados Unidos com a sua esposa, com quem havia se casado quando
do seu retorno à Grécia, após completar os seus estudos em Munique, sem
qualquer plano definitivo sobre como realizar suas ambições de pesquisa
em biologia e medicina. Desenvolveu a maior parte do seu trabalho na
Cornell Medical School, New York City (1914-1949), tornando-se a partir
daí, diretor do Instituto de Câncer de Miami, atualmente renomeado
Instituto de Pesquisa de Câncer Papanicolaou. As suas pesquisas iniciais
tinham como alvo esfregaços vaginais de animais de laboratório e
posteriormente de mulheres, objetivando o conhecimento dos efeitos
hormonais sobre a mucosa vaginal. No decorrer dos seus estudos, a partir
de uma observação que ele mesmo declarou ser "grandemente uma questão de
sorte", aliados a sua faculdade de observação aguda e senso de
importância, percebeu que a mesma técnica poderia ser utilizada na
detecção de células malignas de câncer cervical, quando se deparou com
tais células em uma mulher com câncer cervical. Assim, em 1928,
Papanicolaou apresentou o trabalho intitulado "Novo diagnóstico de
câncer", em Michigan. No final desse artigo, após descrever o novo teste
para a detecção de câncer, ele previu: "Uma compreensão melhor e uma
análise mais precisa do problema do câncer com certeza resultará da
aplicação deste método. É possível que sejam desenvolvidas técnicas
análogas para o reconhecimento de câncer em outros órgãos.''
Contrariamente ao que se esperava, em parte devido a falta de dados
estatísticos na pesquisa, a platéia não se sensibilizou, numa época em
que o grande avanço das técnicas histológicas concentrava todas as
atenções. (próxima -
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